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1.101 Filmes


Quando eu tinha 11 anos, já era uma jovem e pequena cinéfila. O cinema já fazia parte de minha rotina. Todo dia assistia a filmes e não ficava nem um sem ver, a não ser quando saia e chegava tarde ou ia ao médico. Nesta época, tive uma “idéia mirabolante”. Decidi que iria comprar uma agenda e passaria a registrar todos os filmes que assistisse a partir daquele dia até o fim de minha vida. Lembro que fiquei tão contente e eufórica com esta idéia que no dia seguinte, após sair do colégio fui a “Lojas Brasileiras” (alguém se lembra desta loja?) comprar minha pequena relíquia. Lá encontrei uma que era perfeita para mim, toda pretinha, grande e cheia de páginas. Doce lembrança.

Por mais que tente me lembrar, não adianta que não me recordo o dia em que comecei a preencher meu “diário cinematográfico”. Só sei que foi no início do ano de 1988 que anotei o primeiro de 1101 filmes que vi durante 4 anos.
Não importava o canal, a sessão, o horário ou o local, religiosamente, ao terminar de assistir o filme, pegava meu querido diário e anotava o nome, a data, o dia da semana, a emissora e fazia minha avaliação pessoal (ruim, regular, bom e excelente). A maioria, naqueles anos, ganhou a nota máxima, pois não entendia muito de cinema e o que importava realmente era a alegria de sentar em frente à TV e ver um filme.

O título que inaugurou meu diário foi “O bagunceiro arrumadinho” com Jerry Lewis. O vi na sessão da tarde. A partir dele foram vários. Momentos felizes que vivenciei ao registrar cada película vista. Gostaria de citar todos, mas, infelizmente por mais que tenha uma boa memória, não conseguiria tal proeza. Se eu ainda tivesse minha “adorada relíquia” aqui ao meu lado, me ajudaria muito. Porém, não a tenho mais.

Portanto, fora os já comentados em textos anteriores, citarei alguns que me lembro e me marcaram. Primeiro os que vi em 1989, quando “Supercine” fez uma homenagem ao cinema e passou durante um determinado período grandes clássicos da sétima arte como: “E o vento levou”, “Casablanca”, “A noviça rebelde”, “Cleópatra”, “Ben-hur”, “Lawerence da Arábia”.

Na “Sessão de Gala” e no “Corujão” vi: “Alcatraz, fuga impossível”, “Psicose”, “Os pássaros”, “Festim diabólico”, estes três últimos dirigidos pelo excepcional Alfred Hitchcock, “Gente como a gente”, “Tubarão”, “Poltergeist, o fenômeno” (a primeira vez que vi fiquei uma semana sem dormir, imaginando que o palhacinho do filme entraria pela janela do meu quarto e me levaria embora. Muito engraçado quando lembro), “Inferno na torre”, “Vestida para matar”, “Dublê de corpo” do razoável Brian de Palma, dentre outros.

Na “Tela quente” que estreou em 1988, com o filme “O retorno de Jedi”, estrelado pelo Harrison Ford, vi: “Tudo por uma esmeralda”, “Inimigo meu”, “Indiano Jones e os caçadores da arca perdida”, “Indiana Jones e o templo da perdição”, “Top gun, ases indomáveis”, “Admiradora secreta”, “Aliens, o 8ª passageiro”, “Top secret, super confidêncial” (no dia em que passou este filme, foi lançado durante o intervalo o clip da música Like a Prayer da Madona), “O feitiço de Áquila”, este com a bela Michelle Pfeifer (Izabur) e o astro de “Blade Runner” Hutger Hauer (Ettienne Navarre) e o novato Mathew Broderich, que estourou em “Curtindo a vida adoidado”.

Não posso deixar de fora o SBT, do meu querido Silvio Santos. Sua sessão de cinema semanal se chamava “Cinema em casa” e estreou logo depois de Tela quente, justamente, para o telespectador ter uma opção a mais. Ali vi filmes como: “História sem fim”, “Gremlins”, “A coisa”, “Starman, o homem das estrelas”, “Loucademia de polícia”, “O exorcista”, “O último americano virgem”, dentre outros.
Infelizmente, por motivos de estudo não pude manter minha idéia inicial de registrar tudo até o fim da vida. Em 1992 comecei o ensino médio e parei de fazer as anotações.

No ano de 2000, “meu querido diário” estava guardado em um guarda-roupa antigo, junto com outros cadernos, livros e revistas. Infelizmente, por uma fatalidade do destino, deu cupim. Tive de queimar tudo, inclusive ele, o diário. Meus caros, eu chorei tanto, parecia que tinha perdido uma parte de mim. Foi doloroso e até hoje me dói relembrar deste dia