
Quando chegamos a uma determinada idade (falando claramente a partir dos 30 anos), alguns questionamentos e medos que antes não existiam em nossas vidas começam a marcar presença constante em nossa mente. Chegamos ao ponto em que vemos os primeiros sinais da maturidade. Aos 33, o rostinho já demonstra isso. Eu que o diga.
Vivemos em um mundo onde temos de ser perfeitos em tudo, principalmente, nós mulheres. Temos de ser: ótimas trabalhadoras (perfeitas e absolutas em nossa profissão); mães maravilhosas (ligadas nos filhos 24 horas por dia); esposas ou namoradas presentes e sexualmente fantásticas (dedicação integral aos nossos maridos e companheiros sem pestanejar); donas de casa exemplares (a casa deve estar em perfeitas condições, sempre limpa com nada fora do lugar); lindas e maravilhosas (cheirosas e belas ao longo dos 365 dias do ano, sem direito a unhas sem pintar, cabelos brancos, roupa desleixada e etc); inteligentes e culturalmente sábias (estudos e leitura em dia, sem atraso e sem desculpas); amiga (aberta a ajudar nossos amigos e familiares sempre que formos solicitadas). Enfim, são tantos afazeres que me pergunto: como dar conta de tudo isso? E a resposta é uma só: não dá, impossível, não tem como nos virarmos em mil, quando somos uma só.
Embora esta introdução não tenha nada haver sobre o assunto de hoje, (é so um desabafo e uma forma de iniciar o texto) decidi escrever um pouco a respeito de um filme que revi recentemente e me ajudou a descontrair a mente, apesar de ser um tema para reflexão. Por coincidência, ele conta a história de uma mulher que teve de abdicar de algumas coisas em prol de um objetivo. Após assistir ao filme, vocês irão entender do que estou falando.
Escritores da liberdade, meus amigos, é um daqueles filmes excepcionais que temos a obrigação de assistir e refletir sobre o contexto ali apresentado.
Baseado em uma história real e muito bem interpretado pela "fantástica Hilary Swank", a história fala de uma professora de literatura que nos da uma lição de amor a profissão e superação. Guerreira, corajosa, perseverante, obstinada, são algumas das qualidades desta mulher que demonstra o quanto podemos sim, vencer algumas barreiras e obstáculos que encontramos em nosso caminho. Claro, que não iremos salvar o mundo em sua totalidade, mas, temos como fazer nossa parte. Basta, segundo sua visão e percepção, tentar.
Na trama, a professora Erin, uma mulher de talento que segundo seu pai: "deveria seguir outra profissão", inicia seu trabalho em uma escola onde sua turma é composta por alunos pobres, marginais e oriundos das mais diversas etnias e grupos. Muitos deles sobrevivem em meio a total falta de infraestrutura material, social e principalmente emocional, vivendo em famílias desestruturadas sem perspectiva de nada.
Neste contexto, estes jovens são obrigados a frequentar a escola. No entanto, eles não encontram neste lugar nenhuma ajuda ou solução para seus problemas e dúvidas. Cada um vive em seu mundo particular sem perceber ou enxergar a realidade da pessoa que esta a seu lado. A escola, enquanto instituição, não consegue passar a eles um sentido de comunidade, sociedade, grupo, coletividade. Ao contrário, ela, de certa forma, os ajuda a viverem o individual.
Após perceber as dificuldades para cumprir seu trabalho, Erin decide reformular seu método de ensino, conhecer seus alunos, entender seu comportamento e mediante isto, apresentar a estes jovens algo que eles nunca haviam visto, ou seja, o outro. Ela muda para ajudá-los a mudar. Um dos fios condutores utilizados é apresentar a eles "a história dos judeus". Através do sofrimento e da dor que daquele povo, ela almeja ensiná-los a se reconhecerem naquele grupo, enquanto iguais, embora tenham vivido em épocas totalmente opostas, ambos têm muitas coisas em comum. E para isso, ela utiliza como uma de suas ferramentas um dos livros clássicos de nossa literatura "O diário de Anne Frank". Em uma das cenas assistimos a jovem professora e seus alunos visitar o "museu do holocausto". Local onde é contada toda a história de um dos povos mais perseguidos pela humanidade em nosso planeta. Perfeita a idéia!!! Objetivo alcançado com sucesso. Além disso, ela aproveita essa aproximação com seus alunos para lhes entregar um caderno que irá se transformar em um pequeno diário. Ali cada um terá a oportunidade de contar um pouco de sua vida, seus sentimentos, dores, dúvidas, enfim, seus problemas. Assim, ela passa a conhecer intimamente cada "ser humano" que frequenta suas aulas. A partir daí, seu trabalho começa a dar resultados. Idéias novas surgem. Atitudes diferentes começam a ocorrer. Gestos capazes de alterar a percepção de vida. Aqueles alunos antes apáticos, individualistas e mal educados, se transformam em jovens interessados, alegres, companheiros, amigos e confiantes. Pensamentos positivos e novas perspectivas de vida. Uma reviravolta que transofrma a vida de todos, tanto de seus alunos como a sua. Evidente que no meio do caminho ela busca ajuda por parte de sua instituição, levando a diretora e a alguns colegas todas as dificuldades de sua turma no intuito de conseguir ajuda, dando sugestões para melhorar a vida daqueles meninos e meninas. Porém, o que ela escuta são palavras ruins e duras que a desencorajam a seguir suas idéias. Felizmente sua determinação é tão latente que os obstáculos encontrados não a desanimam ou a fazem desistir. Pelo contrário, dão-lhes mais ânimo para seguir em frente. Enfim, que todos que ainda não assistiram, por favor, vejam, pois a mensagem e o ensinamentos ali deixados são maravilhosos.

